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A verdade escondida por trás dos gráficos nas notícias

É muito comum, quando lemos informações sobre determinados temas, nos depararmos com diferentes tipos de gráficos para apresentar dados e informações de forma mais resumida e organizada.

Porém, o que muitas vezes não percebemos, é que a intenção do autor é levar você a acreditar em uma falsa verdade: ele manipula os elementos do gráfico e interfere na sua interpretação dos dados.

Mas como isso é possível?

Neste artigo vou mostrar como diferentes tipos de gráficos podem ser manipulados e, assim, induzir a uma interpretação errada ou alterada dos dados apresentados. Você nunca mais será enganado pelas notícias!

 

Gráfico de colunas

Este é um tipo de gráfico (também conhecido como gráfico de barras) que aparece em muitas reportagens e tem o objetivo principal de facilitar a comparação dos dados – imagine ter que ficar comparando números em uma tabela. Muito mais complicado não é?

Certamente, no período das eleições presidenciais, você deve ter visto ao menos um gráfico de colunas estampado na capa de algum jornal, mostrando a competição entre os candidatos.

Falando em eleições… Escolhi um exemplo que está relacionado à forma de governar de nossos representantes: o quanto pagamos de impostos.

Na realidade, a seguir apresento uma tabela e um gráfico de colunas comparando, em diversos países, o tempo de trabalho ao ano gasto apenas para pagarmos impostos.

Observe que os dados apresentados por meio do gráfico são mais fáceis de comparar.

 tabela-impostos

grafico-dias-trabalhados-impostos

Fonte: <http://www.ibpt.com.br/noticia/2260/De-30-paises-Brasil-e-o-que-oferece-menor-retorno-dos-impostos-ao-cidadao>. Acesso em 07/07/2016.

Manipulação do gráfico de colunas

Um erro extremamente sério na apresentação dos gráficos de colunas é a quebra de escala (explico logo adiante).

Independentemente disso ser feito de forma intencional, não se trata apenas de uma manipulação, mas sim um erro! Portanto, não confie num gráfico de colunas ou barras com quebra de escala.

Vamos ao exemplo prático de como ficaria o gráfico anterior com uma quebra de escala:

grafico-dias-trabalhados-impostos-escala

Observe que no eixo vertical, a escala não começa no 0 (zero), mas sim no 100. Isso é o que chamamos de quebra a escala.

O comprometimento da informação está na alteração da proporção das colunas.

No exemplo acima, se analisarmos apenas as colunas e não os dados numéricos, poderíamos inferir que na Dinamarca trabalha-se o dobro de tempo do que na Bélgica para se pagar os impostos, o que é mentira (176 não é o dobro de 140)!

Isso poderia ser usado em determinada eleição, por exemplo, para favorecer um candidato enfatizando que possui o dobro da intenção de votos, quando, na verdade, possui apenas um pouco a mais das intenções de voto do que o outro candidato.

 

Gráfico de linhas

Dentre os tipos de gráficos apresentados, este é bem comum nas reportagens.

Em geral, utiliza-se gráficos de linhas para mostrar a tendência de um evento: variação da expectativa de vida ao longo dos anos, variação das intenções de voto em um candidato em um período de tempo, etc.

O gráfico de linhas é útil para verificarmos a acentuação do crescimento ou redução de determinada variável, porém é a aí que a manipulação se encaixa…

 

Manipulação do gráfico de linhas

Diferente do gráfico de colunas, no gráfico de linhas a quebra de escala é aceitável. Porém, a alteração da escala faz com que interpretemos de forma diferente os mesmos dados.

No exemplo a seguir, apresento dois gráficos de linhas diferentes para informar os mesmos dados. Observe.

grafico-desemprego-pessoas-ativas

grafico-pessoas-desocupadas

O que você notou de diferente neles?

Observe que, no primeiro (escala vertical entre 2,9% e 4,9%), a porcentagem de pessoas ativas desocupadas, parece aumentar de forma menos acentuada no período de dez./2015 à fev./2016, ou seja, não parece ser um aumento tão significativo.

Porém, no segundo gráfico, ao diminuir o intervalo da escala vertical para 3,7% à 4,5%, consequentemente, as distâncias entre as marcações da escala aumentam e a distância entre os pontos também.

Assim, a impressão que temos é que o aumento da porcentagem de pessoas ativas desocupadas ocorreu de forma bem mais acentuada no mesmo período, de dez./2015 à fev./2016.

Então, se a intenção do autor é amenizar a notícia, para que não percebamos que houve um aumento mais significativo do desemprego, pode-se apresentar o primeiro gráfico.

Caso contrário, se quiser enfatizar o aumento do desemprego, apresenta-se o segundo gráfico.

Além disso, os dados dos gráficos são apresentados em porcentagem de pessoas desocupadas em relação às pessoas ativas, o que não nos dá a dimensão real da quantidade de pessoas desempregadas (em fev./2016, havia cerca de 2 milhões de pessoas!).

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DIFERENTES TIPOS DE DE GRÁFICOS

 

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Sobre outros tipos de gráficos

Ainda existem outros tipos de gráficos bastante comuns, como os gráficos de setores (conhecidos como gráficos de pizza), que ajudam à dar informações relacionadas à porcentagens ou então a partes de um todo, e os pictogramas, que são gráficos que envolvem ilustrações.

exemplo-grafico-setores-pizza

Independente do tipo de gráfico, quase sempre é possível manipulá-lo, a fim de alterar a interpretação do leitor.

Além disso, muitas vezes a falta de cuidado na criação de um gráfico pelo profissional responsável, acarreta na apresentação incorreta dos dados ou então, ao invés de facilitar a interpretação, acaba dificultando-a.

O próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quase sempre apresenta gráficos ruins, de difícil interpretação.

Então, quando for ler as próximas notícias com  diferentes tipos de gráficos, pense se o autor tem a intenção de manipular sua interpretação ou se o gráfico realmente cumpre sua função: facilitar a leitura e comparação dos dados.

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