Dividindo conhecimento

Conheça os limites do corpo para altitudes e profundidades

Quando, em 2013, decidi, junto a uma amiga, mochilar pelo Peru, umas das coisas que mais li em relatos de viagem era “tome cuidado com o mal de soroche, ao chegar em Cusco! Descanse e tome bastante chá de coca.”

Num primeiro momento parecia papo de gente doida e não entendi coisa alguma, mas pesquisando mais a fundo descobri o que era o tal do “mal de soroche”…

Na realidade, trata-se de alguns sintomas, como como náuseas, dores de cabeça e falta de ar, causados pela altitude do local, já que Cusco encontra-se a cerca de 3.000 metros acima do nível do mar.

Para garantir e não estragar meu primeiro dia em Cusco, logo tratei de tomar um comprimido, vendido pelas farmácias de lá, composto por uma substância da coca que ajuda a amenizar e evitar o mal de altitude (por isso o chá de coca ajuda a amenizar os efeitos).

folha-de-coca

Folha de coca que se faz o chá.

Mas você sabe o que acontece com nosso corpo quando vamos a um local onde a altitude está muito acima daquilo que estamos acostumados?

Para responder, primeiro vou falar um pouquinho sobre pressão atmosférica

Como o próprio nome diz, trata-se da força que a atmosfera exerce sobre a área do nosso planeta e, consequentemente, sobre todos nós que estamos por aqui.

Quando estamos no nível do mar, a pressão atmosférica é de, aproximadamente, 1 atmosfera (a abreviação dessa unidade de medida é atm).

Porém, quando subimos numa montanha acima do nível do mar, começamos a sofrer com a diminuição da pressão e, por isso, dizemos que o ar fica rarefeito e nos falta oxigênio (causando os sintomas citados).

Nesta mesma viagem que citei, fomos a um vilarejo chamado Huaraz e, em um dos passeios, conhecemos um glaciar a quase 5.000 m de altitude. A caminhada de 2 km parecia 10 km, pois, quando inspirava, o ar simplesmente parecia não vir. Uma sensação angustiante (que foi compensada pela vista).

huaraz

Glaciar Pastoruri – Huaraz/Peru

Mas o nosso corpo também sofre quando é submetido a pressões mais altas, que ocorrem a profundidades abaixo do nível do mar. Num mergulho, por exemplo, isso pode ser observado, quando o tímpano parece ser ‘empurrado para dentro’.

A 40 m de profundidade é necessário um cilindro de ar comprimido, pois o corpo é submetido à uma pressão de 5 atm – 5 vezes da que estamos acostumados!

Veja o salto do mergulhador Guillaume Nery no Dean’s Blue Hole, nas Bahamas. O recorde de mergulho no local é 95 metros de profundidade (sempre há humanos que superam as leis da física!)

Para denotar altitudes e profundidades, tomamos o nível do mar como zero, os valores acima do nível do mar positivos e os valores abaixo negativos.

O Monte Everest e a Fossa das Marianas são dois lugares muito famosos que desafiam e despertam a curiosidade de muitas pessoas: o primeiro pela altitude, de cerca de 9.000 m, e o outro pela profundidade, aproximadamente, -11.000 m.

james-cameron-fossa-das-marianas

Veículo projetado para descer ao fundo da Fossa das Marianas. O tripulante? O cineasta James Cameron (Avatar e Titanic). Foi a primeira pessoa a alcançar o fundo da Fossa das Marianas desde 1960.

A distância entre um ponto (topo do Everest) e outro (fundo da Fossa das Marianas) pode ser dada pela diferença entre estes valores: 9.000 – (–11.000) = 20.000

everest-fossa-das-marianasObserve que quando se subtrai um número negativo, o valor é positivo. Neste caso, estamos calculando a diferença, em metros, dos dois pontos, assim é o mesmo que fazer 9.000 + 11.000 = 20.000.

A distância entre estes dois pontos é 20.000 m! Consegue imaginar isso?

Pode ser que você não vá a um desses lugares extremos, mas se tiver a oportunidade de conhecer um lugar como o que conheci, bem acima do nível do mar (ou bem abaixo, por que não?), você já pode antecipar que sofrerá um pouquinho, mas garanto que valerá a pena!

Post anterior Próximo post

Você também pode gostar

Sem comentários

Deixe um Comentário